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3.0 / 5

Don’t Knock Twice

3

Don’t Knock Twice
(Não Bata Duas Vezes)
direção: Caradog W. James
Data de Lançamento mundial: 03/02/2017
Distribuição: IFC Films

 

Nem toda obra de arte precisa reinventar e reescrever a historia do cinema, alguns trabalhos podem muito bem colher frutos de uma outra fonte e aplicar em seu projeto de uma maneira autentica e honesta, que valorize seu trabalho tanto quanto o original. As vezes é um tanto quanto tênue a linha entre uma homenagem e uma simples copia, apenas com um olhar mais treinado podemos perceber quando um filme usa de algum elemento chamado “clichê” para uma promoção barata ou quando utiliza desse mesmo elemento para trilhar um caminho diferente, e essa é a chave de tudo, pois não há erro em usar de jumpscare’s em cenas de terror e suspense, o erro é fazer isso da mesma maneira que já vimos a mais de 100 anos de existência do “cinema terror”. Felizmente, de tempos em tempos temos a oportunidade de contemplar uma obra que faz exatamente isso, da maneira mais correta o possível. E no terror Russo (de lingua inglesa) “Don’t Knock Twice” você vai encontrar elementos técnicos e de roteiro, explorados em dezenas de filmes das ultimas décadas, (Mama – 2013, Corrente do Mal – 2014, Amizade Desfeita – 2014, Quando as Luzes se Apagam – 2016, dentre outros), mas garanto que em momento algum irá sentir-se incomodado, do contrario, tudo flui com tanto talento e naturalidade que alguns enaltecerão uma abordagem melhor do que a apresentada no original.

Uma mãe desesperada para se reconectar com sua filha problemática, se vê envolvida na lenda urbana de uma bruxa demoníaca.

O filme inicia num tom melancólico, mostrando bons enquadramentos de camera e apresentando um breve conflito entre mãe e filha (Katee Sackhoff e Lucy Boynton) que buscam esquecer os traumas do passado, por ter abandonado a filha num orfanato devido ao seu alcoolismo, Lucy é relutante em voltar pra casa com a mãe, fez amigos onde vive e não acha que pode confiar novamente. Na cena seguinte Lucy e seu amigo/namorado Danny (Jordan Bolger) vão até a casa de uma suposta bruxa que viveu ali á alguns anos, essa bruxa teria sequestrado outro amigo de infância dos garotos e eles se dirigem a casa dela para xeretar, Danny fala sobre a lenda urbana que acreditavam na infância, que dizia “se bater duas vezes na porta, a bruxa virá atras de você”, na verdade existe uma regrinha, se bater uma ou duas vezes coisas diferentes podem acontecer, mas não posso dizer, pois seria um grande spoiler. E adivinha o que os garotos fazem? Claro, batem duas vezes na porta, e após afastar-sem já podemos sentir o clima direto que o filme trata os inimigos, a bruxa fita a garota da janela, naquele clássico “olhei tava ali, olhei de novo sumiu”, mas todo ambiente de suspense é bem construído, favorecendo a imersão do publico. Assim que retornam, a bruxa/demônio vai atrás de Danny, uma cena muito bem construída com elementos de vários outros filmes, e um bom uso dos efeitos sonoros. A historia e a ordem dos fatos trepidam um pouco, nada que atrapalhe a experiência inicial. Após o encontra com Danny, é Lucy que encara a bruxa/demônio e mais uma cena linda e assustadora, como disse desde o inicio, recheada de clichês, mas a forma que o diretor trabalha tudo isso, chega a nos dar a impressão em certos momentos que estamos vendo algo totalmente novo. Lucy se vê desesperada, está perdendo o controle e aceita voltar a morar com a mãe, porem todo o mal que a garota despertou a acompanha onde for, e agora mãe e filha lutam por suas vidas em quanto o tempo é cada vez mais curto.

A direção é assinada por Caradog W. James que não traz um grande repertório em seu curriculum, além da ficção/ação de 2014 “Soldado do Futuro (The Machine)”, filme que também roteirizou. Em “Don’t Knock Twice” seu maior mérito é o esforço em que trabalha as cenas de terror/suspense, embora o roteiro seja repleto de furos, você fica ansioso por uma cena de “medo”, e quando ocorrem, a direção trabalha no fundo do seu psicológico, testando você a continuar olhando pra tela, o que nem sempre é fácil.

O roteiro é o maior problema do filme, repleto de furos e argumentos que não se sustentam, contrasta grandemente com a direção, o que prejudica e muito a fluidez do filme, principalmente em situações que a historia foi ajustada a uma abordagem diferente da que parecia ser inicialmente, tendo sua explicação extremamente conveniente, algo que deixa o público mais critico com cara de bobo ao reconhecer toda essa conveniência de fatos.

Os efeitos especiais e sonoros são um excelente marco para o filme, variando bem em ambientes grandes e com ecos, estabelecendo uma trilha bem mesclada de efeitos e musicas, mas deixando a desejar em algumas variações de diálogos. Já os efeitos especiais e maquiagem, quando exigidos cumprem seu papel, nada a nível de Oscar, já que o uso de CG deixa a desejar e algumas partes, mas como um todo é um dos grandes destaques que compõem o filme.

As atuações não são nenhum destaque, a não ser por Katee Sackhoff que consegue ditar o ritmo da cena em alguns momentos, entrando totalmente no personagem.

Por fim, “Don’t Knock Twice” encerra seu ultimo ato com um mine plot twist que deve agradar a maioria. Com um excelente primeiro ato, e perdendo ligeiramente o ritmo no segundo, o filme se sustenta quase que totalmente nas ótimas cenas de terror e suspense, com uma direção esforçada e um roteiro incrivelmente falho, podemos apenas chamar esse de um bom filme, para os mais críticos, um filme regular, mas que mostra a Hollywood que é possível aprender com outras obras, inspirar-se e até utilizar dos mesmos elementos e ainda assim parecer autentico.

 

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