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    6.7

It Stains the Sands Red
Data de Estreia no Brasil: sem previsão
Direção: Colin Minihan
Distribuição: Dark Sky Films

Já não é mais novidade para ninguém a afirmação de que os filmes de zumbi estão saturados e precisam de uma renovação. A velha lógica estrutural de uma epidemia e da necessidade de fugir das criaturas mortas-vivas já não assusta ou impressiona ninguém. Nesse sentido, “It Stains the Sands Red” chega aos cinemas este ano com a proposta de ser um filme que faz uma homenagem aos clássicos, ao mesmo tempo que propõe algo novo. E o filme de fato alcança o que havia prometido. Até certo ponto.

Roteirizado por Colin Minihan e Stuart Ortiz, o filme acompanha Molly, uma striper que consegue fugir de Las Vegas logo no começo do apocalipse zumbi deste universo, seguindo com Nick em direção a um pequeno aeroporto entre a cidade e o enorme deserto do Nevada. O carro dos dois quebra e um zumbi passa a persegui-los e consegue pegar Nick, obrigando Molly a andar sozinha quase 60 km pelo deserto. Ao substituir o tradicional protagonista masculino de filmes de zumbi por uma mulher, “It Stains” consegue adicionar uma interessante camada de subtexto, discutindo questões como assédio e violência sexual.

Até aí, maravilhoso. O problema é que o roteiro de Minihan e Ortiz é absolutamente pobre, não conseguindo ultrapassar muito a camada mais superficial de sua metáfora e recorrendo demais a diálogos expositivos para jogar em nossa cara metáforas que não têm capacidade para insinuar. Além de tudo no filme ser literal demais, a personagem de Molly é muito mal construída, com uma personalidade mal definida e um histórico absolutamente clichê e previsível. Brittany Allen não é má atriz e tenta fazer o que pode com o roteiro ruim para nos fazer temer pela vida de sua personagem, mas lá pela terceira ou quarta atitude estúpida que ela toma, começa a se tornar muito difícil torcer por Molly.

Previsível também é a estrutura narrativa do filme, que abusa de jumpscares fáceis e encontra enorme dificuldade em entreter minimamente sua audiência. A curta duração do filme (1h30) logo torna-se uma experiência penosa. Além de ser totalmente previsível, o roteiro simplesmente não sabe o que fazer em seu segundo ato, enchendo linguiça com uma grande quantidade de cenas repetitivas que apenas mostram o zumbi seguindo Molly pelo deserto. Além disso, o visual completamente saturado e monocromático enjoa em segundos, fazendo do filme uma experiência cansativa também em seu aspecto visual.

A direção de Minihan é tão pobre quanto seu roteiro, com enquadramentos de câmera simplistas e uma lógica entediante que mistura zoom ins e planos muito abertos. O diretor emprega uma condução estilizada no filme, conseguindo a façanha de torná-lo ainda mais cansativo, ao tentar estabelecer um contraste entre os feedbacks sobre a personagem com uma paleta azulada e seu presente em vermelho. Este nível de simplicidade parece definir, aliás, o filme inteiro, que contém um final desinteressante e sem lógica, que lhe é cabível. Com personagens desinteressantes e diálogos risíveis, “It Stains The Sands Red” tinha ideias interessantes para um curta, mas que infelizmente não foram bem desenvolvidas em um longa-metragem, que acaba parecendo muito mais longo do que deveria.

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