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3.0 / 5

A Menina que Tinha Dons

3

The Girl With all the Gifts
(A Menina que Tinha Dons)
Direção: Colm McCarthy
Data de estreia no Brasil: 26/00/2016
Distribuição: Warner Bros. Pictures (UK) e Seban Films (US)

 

Ocasionalmente nasce uma obra com coragem para trabalhar um tema aparentemente batido em Hollywood e explorar caminhos diferentes, porem nem todas ganham o devido destaque e muitas passam despercebidas, mas a República do Medo está aqui para dizer que “A Menina que Tinha Dons” não é só mais um filme sobre zumbis, não do jeito que você pensa.

Em um futuro distópico, algumas crianças são mantidas como reféns por um cientista em busca da cura para uma doença que infestou todo o planeta. Melanie (Sennia Nanua), uma garotinha com dons muito especiais, chama a atenção de Helen Justineau (Gemma Arterton) e da Dr. Caroline Caldwell (Glenn Close), que decidem embarcar em uma jornada com a menina.

O diretor novato em longas-metragens, Colm McCarthy, consegue dosar ótimos sentimentos ao expectador logo no inicio do filme. Iniciando com a pequena Melanie (Sennia Nanua) sendo transportada dentro de um cativeiro. O nível de precaução tomado para restringir a garota, instiga nossa curiosidade, uma figura doce e gentil, sendo tratada com tremenda apatia dentro de um protocolo de segurança dos mais rígidos, nos deixa com varias perguntas e teorias logo nos minutos iniciais. Posteriormente uma cena interessante que mostra varias crianças na mesma situação, todas restritas e enfileiradas para algo que podemos chamar de “sala de aula”, uma professora repassa a tabela periódica com as crianças e seu nível de curiosidade já está cada vez maior. Aos poucos tomamos conhecimentos do que tudo aquilo se trata, a direção dá algumas leves escorregas, mas se mantém firme conseguindo estabelecer boa fluidez a historia, mantendo os diálogos mais naturais quanto possível. Mais tarde descobrimos que o mundo foi infectado por uma espécie de fungo que basicamente remeteu nosso planeta a uma condição pós-apocalíptica, poucos humanos restaram e os mortos-vivos infectados se multiplicam a medida que os não infectados diminuem. Porem Melanie, assim como outras crianças não estão entre os vivos, já que também estão infectadas e tem fome e sede de carne humana, porem é capaz de raciocinar, interagir e viver como qualquer ser vivo, vitima de algo que podemos chamar apenas de “impróprio”.
Todas as crianças são mantidas nesse cativeiro militar com propósito de estudo, e quando a Dra. Caroline Caldwell (Gleen Close) finalmente consegue isolar o problema e encontrar uma possível cura pra essa doença, toda a base militar e os complexos laboratoriais são invadidos pelos zumbis, Melanie e sua protetora Helen Justineau (Gemma Arterton) conseguem escapar juntos da Dra. Caldwell e outros militares, e tudo o que importa agora é sobreviver e tentar garantir a salvação da raça humana.

O roteiro escrito por Mike Carey (autor do livro de mesmo nome, lançado em 2014), tem ótimos argumentos, mas uma tremenda dificuldade em mantê-los. Toda vez que a historia tenta ser linear, diversos conflitos internos no filme te fazem questionar os caminhos e decisões tomados, como se a direção não estivesse em perfeita sincronia com o mesmo, em alguns casos tomando um rumo diferente do que parecia proposto ou ao menos mais plausível. Talvez tenha faltado uma boa revisão, ou ter sido lapidado um pouco mais, porem a certeza que fica é que cada ato desse filme evidencia falhas maiores no roteiro, o que se concretiza no desfecho final.

As atuações são solidas e conseguem corresponder a proposta de cada personagem, mas o maior destaque vai para a pequena Sennia Nanua, estreante em hollywood que demonstra um talento e naturalidade de atores veteranos, com certeza um nome que veremos muito ainda no futuro.

Outro destaque fica por conta das cenas clássicas onde os zumbis devoram os seres humanos, como sempre grotesco e impactante, porem esse é o maior orgulho desse filme, pois sabe mesclar o clássico com o novo, e ver crianças dissecando carne humana ou a jovem Melanie comendo um pombo, é uma sensação no mínimo incomoda.

Por fim, podemos dizer que “A Menina que Tinha Dons” pega tudo aquilo que consagrou o gênero zumbi, faz uso e eleva um tom a cima, sabendo reverencia o que já vimos até hoje, mas tendo em mente que o publico precisa de algo novo. Tenho certeza que após esse filme você não se esquecerá das cenas dos zumbis “dormindo” ou das crianças famintas fazendo uma armadilha para atrair os humanos e saciar sua fome. Esses são os tipos de acertos que marcam um filme e mesmo que o roteiro seja imensamente inconstante e nem sempre esteja em sincronia com a direção, esse filme jogou fora o manual hollywoodiano para filmes de zumbis e disse: vou fazer do meu jeito. Por isso, não é só mais um filme de zumbis.

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