Resident_Evil
2.0 / 5

Resident Evil 6: O Capitulo Final

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Resident Evil 6: O Capitulo Final

(Resident Evil: The Final Chapter)

Direção: Paul W. S. Anderson

Data de estreia no Brasil: 26/01/2017

Distribuição: Screen Gems (Sony Pictures)

Quando um filme vira franquia, ou mais especificamente quando uma franquia alcança o sucesso comercial, nos perguntamos quais elementos contidos no primeiro filme levaram os produtores a pensar em uma continuação, e uma serie de respostas se adéquam a esse questionamento variando do filme que analisamos, mas alguns detalhes ficam claros, detalhes que remetem a um único ponto: dinheiro. Sem oferecer os devidos lucros esperados aos cofres hollywoodianos, nenhuma serie de filmes se sustenta, e dentro disso podemos afirmar que a franquia “Resident Evil” sempre trouxe o lucro esperado aos estúdios da Sony Pictures, mas para que isso aconteça esse simples filme precisa transformar-se em uma marca rentável, e nós sabemos que a marca “Resident Evil” é mais que rentável desde 1996. Engajado no sucesso que o nome obteve nos jogos eletrônicos, o cinema viu a possibilidade de lucrar, baseando esse lucro em cima do publico pré-estabelecido dos vídeo games e trazendo uma nova classe de espectadores á apreciar uma das maiores series (games e cinema) que conhecemos. E após 15 anos do lançamento do primeiro filme, “Resident Evil 6: O Capitulo Final” promete um final digno a serie, mas será que consegue?

 Começando exatamente após os eventos de “Resident Evil: Retribuição”, Alice (Milla Jovovich) é a única sobrevivente do que era pra ser a ultima fortaleza da humanidade contra os mortos-vivos. Agora, ela precisa voltar ao local que deu início a esse inferno, a Colmeia em Raccoon City, onde a corporação Umbrella está reunindo suas forças para atacar os últimos sobreviventes do apocalipse.

Dirigido por Paul W. S. Anderson o filme se inicia com Alice (Milla Jovovich) fazendo um resumo de toda sua trajetória nos 5 filmes anteriores da franquia, algo útil já que depois de 15 anos nem todos os eventos estão frescos na memória, possibilitando também o entendimentos do publico que não acompanhou os filmes anteriores. Logo após, nos deparamos com Alice novamente e a cena de ação que sucede é de agradar os olhos dos fãs de Michael Bay, alias, se disser a um desavisado que o filme foi escrito e dirigido por Michael Bay, certamente acreditará, já que o tudo ali foi produzido totalmente com seu clímax em volta das cenas de ação. Após a luta com algumas armas biológica da Umbrella, Alice busca refugio em um galpão, e garanto a você que nos primeiros 15 minutos de filme você já se sentirá incomodado com a quantidade de jumpscare’s e estrondos sonoros totalmente desnecessários. No galpão a protagonista reencontra com a Rainha Vermelha (inteligência artificial criada pela Umbrella) que convenientemente mudou de lado, alias conveniência é um elemento que praticamente define esse roteiro, a Rainha Vermelha diz estar ao lado de Alice, revela algumas coisas de seu passado e diz que existe uma cura para o apocalipse zumbi, um antivírus que se propaga pelo ar (nem me lembre da cena do antivírus que deu vontade de levantar do cinema e ir embora) com a promessa de devolver a raça humana a esperança de salvação, Alice tem um prazo para chegar a Colmeia e pegar o antivírus, e para isso sua jornada de volta a Raccoon City oferece varias surpresas (nem todas boas) e muita ação. E nesse plot básico que o filme trabalha, algo que parece muito fácil para se desenvolver e executar, mas o diretor Paul W. S. Anderson provavelmente nunca jogou nesses 15 anos de “Resident Evil”, nenhum jogo da serie, e caso tenha jogado, desconfio que seja apenas o quinto e sexto titulo (fracasso) da franquia.

Não contente em por as mãos na direção, Paul W. S. Anderson faz o favor de estragar o roteiro também, assim como nos filmes anteriores, Alice é o Chuck Norris da serie, dona da maior “inteligência” do mundo e com acrobacias mirabolantes, você raramente acreditará que a protagonista realmente está numa situação de perigo real. Os demais elementos do roteiro são extremamente falhos, principalmente quando comparamos com os filmes anteriores, vários fatos são moldados como se tudo que acompanhamos antes não tivesse a menor importância, outros fatos apenas são esquecidos, desprezados e reescritos, algo imensamente incomodo, pois você não consegue criar laços com os demais títulos, o que dá uma sensação de tempo perdido. A falta de identidade no roteiro, deixa tudo com cara de mais um episódio de “The Walking Dead”, os diálogos são extremamente ruins e mal escritos, e duvido que você termine o filme sabendo o nome de mais alguém além da Alice, talvez o Wesker por estar presente nos jogos, mas o filme em momento algum te faz importar-se com os personagens e o mundo em sua volta, tudo serve como degrau para consagrar a protagonista.

A atuação de Milla Jovovich é aceitável, porem mal coordenada, ela contracena com Iain Gleen (Dr. Alexander Isaacs) que sofre do mesmo problema. No elenco também está a filha do diretor Paul W. S. Anderson e da atriz Milla Jovovich, Ever Jovovich que interpreta a Rainha Vermelha.

A edição e mixagem de som, são um grande problema, há momentos que a trilha e o áudio das explosões está tão altos que acabamos perdendo algo importante, até mesmo um diálogo ou efeitos de precisão, como passo, golpes, tiros, dentre outros. O elemento jumpscare é usado de forma incessante nesse filme, e quando usado cansa os ouvidos, com barulhos totalmente desconexos com a narração e as vezes com o inimigo mostrado. A trilha sonora se perdeu ao longo da serie, desde “Resident Evil: O Hospede Maldito”, composta por Marilyn Manson, não reconhecemos mais a originalidade nas trilhas do filme.

As cenas de ação e efeitos especiais são boas quando não exageram no elemento “computação gráfica”, mas infelizmente eles gostaram de exagerar, e tudo acaba muito, mas muito artificial.

Talvez o único momento que valha a pena, são algumas cenas finais, se desconsiderarmos diálogos como: “aceita que dói menos”, presenciamos raros momentos de certa qualidade dramática da serie, porem, momentos muito raros.

 “Resident Evil 6: O Capitulo Final”, falha em entregar um desfecho ao menos satisfatório á serie, ao longo de 15 anos vimos títulos com a alcunha “Resident Evil” cada vez mais longe de sua proposta inicial nos cinemas e ainda mais distante da serie de jogos eletrônicos. Para os que procuram um filminho “tela quente” de fim de noite, essa franquia servirá bem, mas para deixar as coisas mais claras deveriam utilizar o nome real da franquia: “ALICE”, pois foram 15 anos em que utilizaram o universo de “Resident Evil” para promover e consagrar a protagonista.

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