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The Belko Experiment
Data de Estreia no Brasil: sem previsão
Direção: Greg McLean
Distribuição: BH Tilt

        Com roteiro assinado por James Gunn (diretor dos dois “Guardiões da Galáxia), “The Belko Experiment” fala sobre um experimento social criado por uma organização desconhecida, envolvendo todos os funcionários estrangeiros que trabalham na sede de Bogotá (Colômbia) das Indústrias Belko. Após uma breve apresentação dos principais personagens e suas relações entre si, a ação do filme começa quando todas as janelas e portas são seladas por uma impenetrável parede de metal. Uma voz fala por alto falantes posicionados em todo o prédio, exigindo que, dos 80 funcionários presentes, dois sejam executados em meia hora, ou haverá consequências.

       A grande virtude de “Belko” é sua capacidade de nos entreter. A curta duração, aliada a um roteiro ágil e conciso, faz com que mal percebamos o tempo passar. Tudo é feito pensando na praticidade: diálogos curtos e rápidos nos informam logo de cara todas as informações essenciais sobre os principais personagens. Soa muito forçado e desesperado em alguns momentos, mas na maior parte do tempo funciona. O roteiro é inteligente no primeiro e segundo atos, conseguindo nos manter apreensivos. No fundo sabemos basicamente o que vai acontecer, mas a agilidade do filme nos impossibilita de pensar muito e simplesmente nos deixamos levar.

        Infelizmente, a ilusão só dura até o fim do segundo ato. A partir deste ponto os diálogos soam expositivos e simplistas demais, os acontecimentos parecem muito convenientes e o desfecho do filme fica mais claro que a luz do dia muito antes de se concretizar. Sabemos exatamente quem vai morrer e quando. A direção pouco inspirada de Greg McLean e os efeitos visuais toscos também ficam muito mais evidentes, criando uma série de momentos até um tanto quanto patéticos. Pesa também a falta de desenvolvimento dada aos personagens, que acabam não conseguindo evocar muito de nossa empatia. O ótimo John Gallagher Jr. consegue dar um pouco de profundidade e credibilidade a Mike, mas o restante do elenco faz um feijão com arroz que nem ajuda e nem atrapalha.

        Porém, o principal problema de “Belko” é certamente a nula complexidade de sua trama quando dispomos alguns segundos para analisá-la. As situações criadas pelo filme são impossíveis e simplesmente convenientes demais para serem verdade. Há registros interessantes de simulações de experimentos antropológicos sendo levados a extremos, mas esse nível é simplesmente exagerado demais. James Gunn claramente acha que seu roteiro é muito mais inteligente do que ele de fato é, demonstrando uma total falta de noção sobre as temáticas que tenta abordar. Algumas questões que o filme levanta sobre comportamento humano são interessantes, mas acabam sendo mal desenvolvidas e soam bastante rasas.

        No fim das contas, “The Belko Experiment” faz um bom trabalho em criar uma situação base e explorá-la por puro entretenimento por um bom tempo. Porém, o roteiro possui uma vontade absurda de explicar o que não entende, deixando o filme bastante estúpido em seu terceiro ato, o que só ressalta o quão pouco o filme acrescenta a qualquer tipo de discussão social ou cinematográfica. Tivesse feito seu trabalho sem nenhuma pseudo-intelectualidade, poderia ser um ótimo e competente filme. Como foi lançado, é apenas um passatempo interessante.

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