tomatoes

Trasheira de Qualidade – Ataque dos Tomates Assassinos

Ataque dos Tomates Assassinos
(Attack of the Killer Tomatoes)
Lançamento: 25/12/1978
Direção: John DeBello

Um bom filme trash já se faz ser reconhecido pelo título. Ataque dos Tomates Assassinos (1978) honra essa premissa com maestria. O filme é uma comédia de horror musical que faz referência a filmes clássicos e satiriza em especial os big bug movies, filmes com insetos gigantes como O Mundo em Perigo (1954), em que formigas gigantes atacam os humanos, Tarântula (1955), com uma aranha gigante (sim, eu sei que aranhas são aracnídeos, mas classificam esse como um big bug movie, peço perdão aos biólogos), e O Começo do Fim (1957), com gafanhotos gigantes. Faço aqui uma menção de honra a Noite dos Coelhos (1972).

Outra parte da inspiração do diretor veio de Matango, a Ilha da Morte (1963), um filme japonês sobre pessoas que naufragam em uma ilha e têm de se alimentam de cogumelos alucinógenos. Com isso viram monstros “cogumelosos”. Se um shitake pode ser assustador, por que não tomates? Ataque dos Tomates Assassinos (1978) foi realizado por amigos recém-formados da faculdade, com um orçamento de 90.000 dólares e muitas ideias malucas.

O filme já começa de um modo ~genial~, citando um clássico de Hitchcock:

Entendeu, poço de vacilo? Não ria dos tomates

Na primeira cena um tomate roda suavemente dentro de uma pia até atacar violentamente uma dona de casa, que não resiste. Os detetives ficam intrigados com o assassinato. Um deles, porém, percebe que não é sangue o que está marcando a cena do crime:

Nem mesmo CSI poderia pensar numa trama dessas

Uma parte boa do filme é o fato de que não há mistério sobre os tomates, todos já sabem que eles ganharam vida e estão atacando os humanos. O roteiro não perde tempo com mistério bobo. Tem no título que os tomates são assassinos? Eles nos entregam tomates assassinos. Não só assassinos, como TOMATES ASSASSINOS GIGANTES.

Sim, eles são grandes

As autoridades são completamente tolas e caricatas. Os governantes não conseguem decidir nenhuma medida de prevenção contra o mal que os assola, não informam a população adequadamente e a todo momento se atrapalham nas mais quotidianas ações.

O agente de inteligência Mason Dixon convoca uma equipe: Sam Smith, especialista em disfarces; Gretta Attenbaum, especialista em natação; Greg Colburn, especialista submarino e, por fim, o tenente Finletter, um paraquedista que nunca nos deixa esquecer da sua profissão. A equipe não atua em conjunto, cada um age de seu próprio modo desconexo e ninguém chega a lugar nenhum. Mas é claro que temos ótimos momentos, como quando Sam Smith se infiltra em meio aos tomates:

Ele é o tomate do meio, caso não tenham percebido

As frutas (sim, tomates são frutas, não vegetais) continuam os ataques, nada pode pará-las. Em uma referência ao clássico Tubarão (1975), os tomates atacam banhistas na praia. Sobre essa cena em específico gostaria de ressaltar um diálogo:

Lembrando que o filme é de 1978. Talvez essa cena tenha te confundido.

Um relatório super confidencial acaba caindo nas mãos de um editor de jornal que entrega a pauta à jornalista Louis Fairchild, responsável pela coluna social. Ela entra em uma busca determinada por informações, mas tem que enfrentar o frio Mason Dixon e o imprevisível tenente Finletter.

O filme também explora as mazelas sociais dos ataques de tomates. A população entra em pânico mesmo com a mais breve menção da palavra. Uma das cenas mostra exatamente isso: na biblioteca da faculdade um homem fala “tomate” e todos ao seu redor entram em pânico e saem correndo.

Acredite, eles são perigosos

O baixo orçamento foi usado a favor do humor – muito bem usado, se vocês quiserem saber a minha entusiasmada opinião. A emocionante perseguição de carros a 5km/h jamais aconteceria em uma franquia como Velozes e Furiosos, porém ela ocorre em Ataque dos Tomates Assassinos, ponto para o diretor John DeBello que conduziu a lenta sequência de ação com muita habilidade.

Não vou entregar quem é o vilão do filme, pois quero que vocês assistam e julguem vocês mesmos – além de que, como vocês verão, o vilão não tem lá um plano com muito sentido. Mesmo com esse minúsculo defeito, uma produção tão criativa quanto essa deve ser apreciada pelos amantes do cinema. Talvez eu tenha esquecido de comentar, mas existem cenas musicais. Não quero falar sobre elas.

A salvação da humanidade repousa em uma canção adolescente chamada puberty love (amor da puberdade), irritantemente interpretada pelo fictício Ronny Desmond. Quem emprestou a voz à canção destruidora de tomates foi o então adolescente Matt Cameron, baterista da banda Pearl Jam – o que só me serve de argumento para atestar a boa qualidade desse filme.

hehehehehe Pearl Jam

Ataque dos Tomates Assassinos (1978) é um belo filme trash, um clássico sem defeitos – tirando boa parte do filme – que inspirou outras comédias de horror, como a série Todo Mundo em Pânico. Ele ainda possui três continuações: O Retorno dos Tomates Assassinos (1988), com um certo George Clooney no elenco, Corra que os Tomates Vem Aí (1990), que prova que alguns títulos brasileiros são melhores que os originais e Os Tomates Assassinos Comem a França (1991). A franquia ainda contou com uma série animada – homônima ao primeiro longa – em 1990.

Curiosidade adicional: Stephen Peace, que interpretou o tenente Finletter foi eleito senador pela Califórnia em 1993 e ficou no cargo até 2002. Um de seus projetos de lei determinou que mercados colocassem etiquetas em tomates para diferenciar os naturais dos artificialmente amadurecidos.

 

  • Essa é a primeira de uma série de resenhas sobre os clássicos do cinema trash. Aguardem que vem mais conteúdo por aí.