Crítica | Chucky (1ª Temporada)

Chucky
Data de Lançamento: 12/10/2021
Criador: Don Mancini
Distribuição: Star+

Chucky é, sem sombra de dúvidas, um dos vilões mais conhecidos dos filmes de horror. Desde o lançamento de O Brinquedo Assassino (1988), o boneco Bonzinho possuído se tornou um ícone da cultura pop e ganhou mais 6 sequências, sendo a última, O Culto de Chucky, em 2017, além de reboot pra lá de estranho que tirou o fator sobrenatural e transformou Chucky em um brinquedo eletrônico que deu defeito.

Após o fracasso de 2019, que descaracterizou completamente o personagem, ficou claro que a saga deveria ser mantida nas mãos do criador, Don Mancini. Como diretor, ele havia regido os últimos três filmes da saga original, que não são considerados os melhores pela crítica. Dessa vez, decidiu inovar e produzir o brinquedo assassino em formato de série, algo que fez muito bem à saga.

O primeiro elogio a Mancini deve ser sobre sua fidelidade à própria criação e a suas próprias ideias. Uma tendência atual é rebobinar sagas clássicas, pedindo ao expectador que esqueça o que viu nos filmes considerados mais “fracos”. Halloween fez isso duas vezes, O Exterminador do Futuro também. No campo das séries de horror, O Exorcista (2016-2017) optou por considerar só o primeiro filme. Tal manobra às vezes gera bons resultados. Halloween (2018) foi um bom filme. Contudo, há sempre o perigo de querer agradar a todos os fãs e a produção ficar completamente confusa, como foi com A Ascensão Skywalker (2019).

Apesar de críticas feitas às últimas produções de Chucky, Mancini não se intimidou. O Culto de Chucky (2017) não foi exatamente um grande filme, mas apresentou um novo “poder” de Charles Lee Ray. Após aterrorizar Andy na trilogia original e Nica em A Maldição de Chucky (2013), o assassino aprendeu a dividir sua alma e, assim, possuir vários bonecos bonzinho ao mesmo tempo. A série começa apenas algumas poucas semanas após o filme de 2017.

No primeiro episódio conhecemos Jake, um adolescente desajustado que vive com um pai alcoólatra que tem crises de raiva ao menor questionamento sobre a sexualidade de seu filho. Jake é um artista com uma estranha predileção por utilizar brinquedos como matéria-prima de suas obras. É dessa forma que ele acaba comprando um boneco Bonzinho em uma venda de garagem.

Sem surpresa nenhuma, descobrimos que o boneco é Chucky, um receptáculo de uma parte da alma do temível e oitentista assassino Charles Lee Ray. Ele desenvolve uma amizade muito estranha com o adolescente e tenta ensiná-lo a ser um serial killer. É claro que nada será tão fácil. Personagens clássicos aparecem e modificam a direção da trama. São excelentes aparições.

O humor de Mancini está presente em todos os episódios, assim como sua capacidade de nos chocar com mortes bastante gráficas. Pegando toda a responsabilidade por ter criado um personagem tão clássico, o criador resolve explorar algumas inconsistências de roteiro que surgiram ao longo das produções e decide explicar várias coisas sobre o plano de Chucky. É claro que essa explicação não é algo super racional e pé no chão, afinal, estamos falando de um boneco possuído.

A qualidade principal da série é o autoconhecimento. Chucky entende o quão ridículo um brinquedo assassino pode ser, mas também sabe quando deixá-lo assustador e sádico. A produção não tem vergonha de seu passado, é como se Mancini gritasse “é tudo canônico” e nos mandasse lidar com isso. Os personagens novos são incríveis. São escritos como os adolescentes que são, com suas questões pessoais, inseguranças e planos nem sempre inteligentes.

Chucky é uma das melhores produções para a TV de 2021. O episódio final consegue concluir parte da história, mas deixa um grande gancho para a próxima temporada. Não sabemos ainda se o trio de protagonistas se manterá ou se Chucky vai mudar de CEP, mas uma coisa é certa: a loucura de Don Mancini vai continuar.