Crítica | Separation

(Separation)
Data de Lançamento: 30/04/2021 (EUA)
Direção: William Brent Bell
Distribuição: Open Road Films / Briarcliff Entertainment

Separation pode muito bem ser considerado uma das maiores bombas do ano, e você nem suspeitava. Há poucos meses descrito como um possível terror bem assustador, expectativa esta alimentada pelo seu trailer pra lá de mentiroso, o novo longa do esforçado William Brent Bell (responsável por Boneco do Mal 2) passa longe de uma abordagem comercial de horror com diversos sustos e opta por trabalhar o suspense de seus apáticos eventos diante de uma trama arrastada e sem vida. Continue lendo para compreender mais sobre o desastre de mais uma infrutífera obra do diretor.

O filme se inicia nos apresentando uma relação matrimonial em declínio, na qual, após discutir com seu marido Jeff (Rupert Friend), um artista desempregado e em fase de bloqueio criativo, Maggie (Mamie Gummer) pede a guarda de sua filha Jenny (Violet McGraw, de A Maldição da Residência Hill). Buscando por um emprego mais do que nunca na intenção de continuar cuidando de sua filha, Jeff nem suspeita que Jenny está sendo visitada todas as noites por uma figura misteriosa, que parece ter saído de uma coleção de bonecos esquisitos.

É vergonhoso e frustrante acompanhar a maneira como o filme elabora (ou tenta elaborar) a relação entre os objetivos e intenções dos personagens, pessoais ou profissionais, e as situações sobrenaturais que os cercam. A presença completamente coadjuvante e descartável da babá, Samantha (Madeline Brewer, de Cam, original Netflix), também não nos cativa, ainda que o roteiro, de forma forçada num terceiro ato previsível, tente nos fazer acreditar no contrário. Conseguimos antecipar praticamente todos os movimentos de uma trama sem tempero o suficiente para nos manter interessados pelo desenrolar e conclusão da história.

Não podemos deixar de observar o quão curioso é o fato de Separation seguir, utilizar e até abusar de tantas convenções do gênero de horror que resultaram em filmes medianos, e ainda assim acabar se resolvendo de forma tão abaixo da média. Sem uma identidade própria capaz de sequer sustentar os caprichos de uma narrativa pobre e fraca, a obra nos obriga a apegarmo-nos aos mínimos e temporários detalhes positivos encontrados para continuarmos a torturante jornada; Cito como exemplos a volta de Jeff aos desenhos, que lhe dão tanto prazer e que outrora o sustentaram, ou mesmo a bela relação entre Jeff e Jenny em algumas cenas que ameaçam nos emocionar, mas que infelizmente se mostram curtas e se solucionam de maneira leviana.

Tecnicamente o filme também não surpreende. Embora o baixo orçamento das obras do diretor não seja tão evidente nos aspectos técnicos quanto poderia, as diferentes áreas que compõem o audiovisual não parecem funcionar como uma unidade. A montagem de Brian Berdan, principalmente, se mostra confusa e distante da proposta de direção do filme, enquanto os efeitos especiais surgem de maneira deprimente. A fotografia, a direção de arte e até a trilha musical não aproveitam de maneira prática o vínculo existente entre o drama de um divórcio e o sofrimento inerente de uma jovem de 9 anos com a entidade sobrenatural que ameaça a sanidade e a vida de todos ali. 

Desperdiçando toda e qualquer chance de correlacionar seus temas de forma instigante, Separation fracassa no desenvolvimento dramático de cada um de seus personagens, falha em amedrontar ou mesmo assustar seu público e consegue nos decepcionar fortemente com sua inverossimilhança. William Brent Bell parece continuar tendo sérias dificuldades em encontrar uma fórmula eficiente para nos emocionar, nos divertir e tornar suas obras criativas e interessantes.